Tutor (a)
Júnior: Claudio Bernardo1[1]
Tutora
Sênior: Ana Maria Marques Palagi
Memorial Avaliativo
Apresentação
Elaborar um memorial é reconstruir as experiências
vivenciadas. Essa não é tarefa fácil, pois, na opinião de Moraes (1992)
memorial é um relato crítico do que se aprendeu, com múltiplas interpretações e
opiniões o qual possibilita inferências de capacidades intelectuais.
De acordo com Boaventura (1995), “memorial” é não somente
critico, mas também autocrítica do desempenho acadêmico da carreira cientifica.
Sendo assim, para elaborar este memorial levei em consideração as condições,
situações e contingências que envolveram o desenvolvimento da trajetória no
Curso de Formação de Tutores do Profuncionário.
Neste relato, procuro destacar os pontos cruciais deste
curso, que foram proporcionados por meio das disciplinas específicas para
formação tutorial. Os caminhos que me foi proposto possibilitaram a construção
de minha trajetória acadêmica. Assim sendo, meu memorial passa a ser
auto-avaliativo, pois irei descrever o desenrolar do curso de Formação de
Tutores do Profuncionário, as disciplinas que o compõem, durabilidade do curso
e uma breve visão crítica sobre a formação específica de tutores para o programa.
O presente memorial que apresento, constitui-se em
instrumento solicitado pelo Curso de Formação de Tutores do Profuncionário
(Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais
- Campus Juiz de Fora), como requisito parcial para conclusão do curso.
Desenvolvimento
Em outubro do ano de
2012 fui convidado para ser tutor de uma turma do Curso Técnico em Alimentação
Escolar do programa do Profuncionário. O tutor neste programa é visto como um agente
principal, uma vez que ele irá desenvolver o curso para profissionais que estão
na ativa, e que, em muitos contextos escolares ainda são ignorados, não vistos
como agente e profissional da educação. Tais vertentes, leva aos idealizados do
Profuncionário a necessidade de fornecer uma formação específica para tutores
que trabalham nos cursos de formação do programa.
Assim sendo, em abril
de 2013 recebi um e-mail, em seu rol trazia as informações sobre a matrícula no
referido curso de formação. Este curso,
em seu preâmbulo, grafados pela Tutora Sênior - Ana Maria Marques Palágio, os
objetivos a serem alcançados, estes, consiste em capacitar tutores para atuarem
como educadores nas diferentes atribuições de organização do PROFUNCIONÁRIO,
pensando e abordando as dimensões legais, pedagógicas, técnicas do processo de
Educação a distância (tutoria), conhecendo as implicações didático-pedagógicas
de interatividade e interação, e a compreensão do real potencial da atuação dos
funcionários da educação como educadores, dotados de uma identidade e de
tarefas primordiais na constituição do espaço educativo escolar.
O curso teve
durabilidade aproximada de seis meses, dividido em sete módulos, sendo o
primeiro com 10 horas aulas, este, destinado a ambientação, familiarização com
o ambiente MOODLE e com a proposta de formação. Cinco módulos trataram sobre o
programa Profuncionário e formação do tutor e o último módulo foi voltado para
a elaboração deste memorial, caracterizado como avaliação dessa capacitação.
No módulo, Ambientação
e Proposta de Trabalho, além de conhecer o programa de formação, tive a
oportunidade de acesso a vários textos sobre as tecnologias educacionais,
formação de tutores, educação a distancia, cibercultura, valorização do
profissional da educação, trabalho do professor com as novas tecnologias e
outros...
Nesta parte
introdutória do curso, tive a oportunidades, através da leitura de vários
textos, disposto no link-biblioteca, compreender e conhecer o programa do
profuncionário, as bases legais. Oportunizou ainda conhecer através dos
relatos, dos colegas, no link-fórum de apresentação, o perfil dos tutores, suas
experiências
pedagógicas na área da educação do Profuncionário, EaD (educação a distancia) e
da plataforma MOODLE.
Seguindo o curso com a
disciplina “Contexto
legal e normativo da formação inicial e continuada dos funcionários” que tem
por objetivo investigar a legislação pertinente a formação dos trabalhadores em
educação e a perspectiva crítica das dimensões das políticas públicas no
contexto brasileiro.
Atendendo os objetivos proposto pude observar que o
reconhecimento do direito a profissionalização, daqueles que durante tanto
tempo figuravam apenas como meros coadjuvantes dentro do processo educacional,
configurou como um marco no avanço a um ambiente escolar cada vez mais
qualificado. Valorizar os servidores da carreira de assistência na educação faz
cumprir o direito de cidadão, bem como o também previsto na LDB.
Além de conhecer o projeto político pedagógico do Instituto
Federal de Educação de Brasília (IFB), tive a oportunidade de averiguar que o
Decreto 7415/2010 no seu art. 4º inciso II versa sobre a ampliação da oferta de
vagas, pela Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, em cursos de
formação inicial em nível médio e superior destinado a profissionais da
educação básica, o Profuncionário é contemplado neste inciso. Já o inciso III descreve
sobre a concessão de bolsas de estudo e de pesquisa a professores que atuem em
programas de formação inicial e continuada de funcionários de escola e de
secretarias de educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Logo, as
bases legais de profissionalização dos funcionários
da educação, é uma estratégia plausível que tem o intuito de resgatar a idéia
positiva do profissional no contexto das funções inerentes ao trabalho que
exerce na educação contemplando as dimensões da obrigação moral que leva tê-lo a preocupação com
o bem estar dos alunos e com a ética, perpassando as relações de afetividade e
motividade; compromisso com a comunidade – estabelecendo, inicialmente, com os
professores e, a seguir, com a sociedade como um todo intervenção nos problemas
sociais e políticos, e compreendendo a escola como um local de preparação para
a vida futura, como agente regulador da sociedade (liberdade, igualdade,
justiça) e por fim a competência profissional – transcende o domínio de
habilidades e técnicas e emerge a partir da interação entre a obrigação moral e
o compromisso com a comunidade. Esse dimensionamento exige que se enfrente o
desafio da mudança em três níveis: o das mentalidades, das práticas e dos
compromissos.
Quando
as dimensões citadas anteriormente são alcançadas temos a construção de
identidade do funcionário. Tal característica é nitidamente perceptível, pelo
fato de todos serem sujeitos do processo educa-ação, por intermédio do
exercício do seu trabalho, da efetivação social do ato educativo escolar. No
entanto, esse não é o único fator constitutivo da identidade profissional, pois
além deste, para a explicitação dessa identidade, o ramo do saber prioriza a
formação – inicial e continuada – desse profissional. O campo do conhecimento
que este profissional está vinculado acaba por estabelece a identidade de cada
um dos sujeitos sociais individuais que compõem o grupo dos trabalhadores em
educação.
No decorrer
deste curso pude, através dos conteúdos propostos, analisar e fazer um link com
o curso o qual sou tutor e cheguei a um consenso de que, através do
Profuncionário os alunos servidores têm uma chance de paridade formativa,
muitas vezes os educandos relataram que se sentiam a margem do processo de
aprendizagem mas que, realizando o curso estão mais inseridos no contexto,
tendo oportunidade de adquirir novos conhecimentos e assim, tendo oportunidade
de participar mais ativamente, desejo este demonstrado há muito tempo pela
categoria. Sempre enfatizaram que isso se deriva também a flexibilidade que a
educação a distancia proporciona nos últimos tempos.
A modalidade a
distância facilita a gestão de tempo, o deslocamento somente nos encontros presenciais
estimula os funcionários que já possuem uma grande carga de trabalho
O processo de
autonomia demonstrado por alguns alunos é motivador, claro, processo este em
construção, mas esta capacidade de descoberta do conhecimento e a prática do
mesmo nas escolas nos evidenciam que estamos proporcionando maior participação
social.
Como maiores
dificuldades salientam a falta de conhecimento digital, a necessidade de grande
acompanhamento exigido por alguns alunos que não estudam há muito tempo e
precisam ser sistematicamente estimulados para não desistirem e a necessidade
de esclarecimentos constantes sobre a Educação a distancia e os aspectos
positivos da mesma.
Considero
relevante ressaltar que os profissionais se sentem mais valorizados, sabe que
sua participação nas escolas colabora para melhoria da mesma, a capacidade de
aprender através de novas tecnologias e modalidades de ensino tem aumentado a
auto-estima, a criticidade. A realização e implementação dos projetos
desenvolvidos pelos alunos têm gerado maior empenho na execução de suas
atividades, além das progressões, dos certificados que são almejados pelos
mesmos.
Neste contexto,
o curso me levou a refletir o ensino aprendizagem na modalidade educação a
distancia – EaD.
A EaD abre um “leque” oportuniza o aprendizado
em rede, amplia o debate pedagógico e a melhoria no planejamento das aulas e na
produção de materiais didáticos. Outros aspectos favorável proporcionados pela
EaD, é o reconhecimento das TICs (Tecnologia da Informação e Comunicação) como
ferramentas ativas para alavancar e desenvolver o ensino aprendizagem, não se
pode negar a potencialidade dos instrumentos para o desenvolvimento de
estratégias educativas diferenciadas do ponto de vista das interações entre
professores e alunos.
Ensinar na, e
com a internet, é significativos quando professor e aluno estão integrados em
um contexto estrutural de mudança do processo de ensino-aprendizagem, mas, esta
é uma dificuldade encontrada, pois exigem dos professores flexibilidades às
mudanças, ser aberto ao novo, ainda há uma grande resistência ao uso das TICs
como ferramenta pedagógica.
As TICs não
mudam necessariamente a relação pedagógica. Elas tanto servem para reforçar uma
visão conservadora, individualista, autoritária, como para dar suporte a uma visão
emancipadora, aberta, interativa, participativa. Nesse caso, transgredir a
relação está mais na mente das pessoas do que nos recursos tecnológicos, embora
sejam inegáveis suas potencialidade pedagógicas ( OLIVEIRA, 2003).
O professor
como mediador/ facilitador do conhecimento, que compreende a capacidade do
tutor de desafiar o aluno e de motivá-lo, instiga-lo na busca de respostas
adequadas ao que está sendo propostas. Isso significa desenvolver sua
habilidade de saber articular mediações entre o aluno e o objeto de
conhecimento. O professor deve favorecer a mediação interativa, a fim de tornar
o trabalho integrado, para que se atinja o objetivo proposto pelos
participantes. Estas características irão canalizar novas experiências de
aprendizagem, baseadas nas interações entre professores e alunos, aluno e
aluno, aluno com os materiais instrucionais e com outras fontes dinâmicas de
informação.
Considerações
finais
Voltado especificamente
para formação de tutor para atuação no programa Profuncionário, o curso traz um
relato das bases legais na qual está alicerçado o programa. Isto é de grande
valia principalmente para os que vão atuar dentro do processo. Como tutor,
tinha carência deste conhecimento, haja vista, que estas bases legais integram e
dão legitimidade a formação do profissional da educação.
O
curso proporcionou-me ainda a possibilidade de colocar em prática meus
conhecimentos adquiridos na minha formação de Especialista em Mídias na
Educação, integrá-la a pratica de formação dos educandos uma vez que na EaD não
se desvincula da cultura cibernética e das TICs.
Por
fim, vejo o curso como uma ferramenta importantíssima para que o Profuncionário
tenha sucesso. Uma formação específica é crucial para quem trabalha com uma
clientela semelhante a esta atendida pelo programa. Estão na ativa, muitos com
conhecimento sistêmico, porém informais, na área em que atua e, leigos
formalmente sobre a área em que atua. Isso requer do tutor formador
flexibilidade, dinamismo e conhecimentos da conjectura pedagógica e burocrática
que norteia o curso que irá atuar.
Referências
BOAVENTURA,
E. M. Memorial. 1995. Disponível em: <http://www.edivaldo.pro.br/
memorial.html>. Acesso em: 15 de outubro. 2013.
DECRETO Nº 7.415, DE 30 DE DEZEMBRO
DE 2010. Disponível em: <http:// http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7415.htm>.
Acesso em: 15 de outubro. 2013
MORAES,
I. N. Memorial: síntese. São Paulo: Universidade
de São Paulo, 1992. Documento apresentado à Faculdade de Medicina para o
Concurso de Professor Titular do Departamento de Cirurgia –Disciplina de
Cirurgia Vascular Periférica.
OLIVEIRA, E. G. Educação a Distância na
Transição paradigmática. Campinas: Papirus, 2003.
[1] Claudio Bernardo, Licenciado em Química e Pedagogia,
Especialista em mídia na Educação, professor licenciado da Secretaria de Estado
de Educação do Distrito Federal, professor tutor do curso Técnico Alimentação
Escolar do Programa de Formação de Profissionais da Educação (Profuncionário),
Instituto Federal de Brasília (IFB).
