sábado, 26 de outubro de 2013

Curso de Formação de Tutores do Profuncionário

Curso de Formação de Tutores do Profuncionário

Tutor (a) Júnior: Claudio Bernardo1[1]
Tutora Sênior: Ana Maria Marques Palagi


Memorial Avaliativo


Apresentação

Elaborar um memorial é reconstruir as experiências vivenciadas. Essa não é tarefa fácil, pois, na opinião de Moraes (1992) memorial é um relato crítico do que se aprendeu, com múltiplas interpretações e opiniões o qual possibilita inferências de capacidades intelectuais.
De acordo com Boaventura (1995), “memorial” é não somente critico, mas também autocrítica do desempenho acadêmico da carreira cientifica. Sendo assim, para elaborar este memorial levei em consideração as condições, situações e contingências que envolveram o desenvolvimento da trajetória no Curso de Formação de Tutores do Profuncionário.
Neste relato, procuro destacar os pontos cruciais deste curso, que foram proporcionados por meio das disciplinas específicas para formação tutorial. Os caminhos que me foi proposto possibilitaram a construção de minha trajetória acadêmica. Assim sendo, meu memorial passa a ser auto-avaliativo, pois irei descrever o desenrolar do curso de Formação de Tutores do Profuncionário, as disciplinas que o compõem, durabilidade do curso e uma breve visão crítica sobre a formação específica de tutores para o programa.
O presente memorial que apresento, constitui-se em instrumento solicitado pelo Curso de Formação de Tutores do Profuncionário (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais - Campus Juiz de Fora), como requisito parcial para conclusão do curso.

Desenvolvimento

Em outubro do ano de 2012 fui convidado para ser tutor de uma turma do Curso Técnico em Alimentação Escolar do programa do Profuncionário. O tutor neste programa é visto como um agente principal, uma vez que ele irá desenvolver o curso para profissionais que estão na ativa, e que, em muitos contextos escolares ainda são ignorados, não vistos como agente e profissional da educação. Tais vertentes, leva aos idealizados do Profuncionário a necessidade de fornecer uma formação específica para tutores que trabalham nos cursos de formação do programa.
Assim sendo, em abril de 2013 recebi um e-mail, em seu rol trazia as informações sobre a matrícula no referido curso de formação.  Este curso, em seu preâmbulo, grafados pela Tutora Sênior - Ana Maria Marques Palágio, os objetivos a serem alcançados, estes, consiste em capacitar tutores para atuarem como educadores nas diferentes atribuições de organização do PROFUNCIONÁRIO, pensando e abordando as dimensões legais, pedagógicas, técnicas do processo de Educação a distância (tutoria), conhecendo as implicações didático-pedagógicas de interatividade e interação, e a compreensão do real potencial da atuação dos funcionários da educação como educadores, dotados de uma identidade e de tarefas primordiais na constituição do espaço educativo escolar.
O curso teve durabilidade aproximada de seis meses, dividido em sete módulos, sendo o primeiro com 10 horas aulas, este, destinado a ambientação, familiarização com o ambiente MOODLE e com a proposta de formação. Cinco módulos trataram sobre o programa Profuncionário e formação do tutor e o último módulo foi voltado para a elaboração deste memorial, caracterizado como avaliação dessa capacitação.
No módulo, Ambientação e Proposta de Trabalho, além de conhecer o programa de formação, tive a oportunidade de acesso a vários textos sobre as tecnologias educacionais, formação de tutores, educação a distancia, cibercultura, valorização do profissional da educação, trabalho do professor com as novas tecnologias e outros...
Nesta parte introdutória do curso, tive a oportunidades, através da leitura de vários textos, disposto no link-biblioteca, compreender e conhecer o programa do profuncionário, as bases legais. Oportunizou ainda conhecer através dos relatos, dos colegas, no link-fórum de apresentação, o perfil dos tutores, suas experiências pedagógicas na área da educação do Profuncionário, EaD (educação a distancia) e da plataforma MOODLE.
Seguindo o curso com a disciplina “Contexto legal e normativo da formação inicial e continuada dos funcionários” que tem por objetivo investigar a legislação pertinente a formação dos trabalhadores em educação e a perspectiva crítica das dimensões das políticas públicas no contexto brasileiro.
Atendendo os objetivos proposto pude observar que o reconhecimento do direito a profissionalização, daqueles que durante tanto tempo figuravam apenas como meros coadjuvantes dentro do processo educacional, configurou como um marco no avanço a um ambiente escolar cada vez mais qualificado. Valorizar os servidores da carreira de assistência na educação faz cumprir o direito de cidadão, bem como o também previsto na LDB.
Além de conhecer o projeto político pedagógico do Instituto Federal de Educação de Brasília (IFB), tive a oportunidade de averiguar que o Decreto 7415/2010 no seu art. 4º inciso II versa sobre a ampliação da oferta de vagas, pela Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, em cursos de formação inicial em nível médio e superior destinado a profissionais da educação básica, o Profuncionário é contemplado neste inciso. Já o inciso III descreve sobre a concessão de bolsas de estudo e de pesquisa a professores que atuem em programas de formação inicial e continuada de funcionários de escola e de secretarias de educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Logo, as bases legais de profissionalização dos funcionários da educação, é uma estratégia plausível que tem o intuito de resgatar a idéia positiva do profissional no contexto das funções inerentes ao trabalho que exerce na educação contemplando as dimensões da obrigação moral que leva tê-lo a preocupação com o bem estar dos alunos e com a ética, perpassando as relações de afetividade e motividade; compromisso com a comunidade – estabelecendo, inicialmente, com os professores e, a seguir, com a sociedade como um todo intervenção nos problemas sociais e políticos, e compreendendo a escola como um local de preparação para a vida futura, como agente regulador da sociedade (liberdade, igualdade, justiça) e por fim a competência profissional – transcende o domínio de habilidades e técnicas e emerge a partir da interação entre a obrigação moral e o compromisso com a comunidade. Esse dimensionamento exige que se enfrente o desafio da mudança em três níveis: o das mentalidades, das práticas e dos compromissos.
Quando as dimensões citadas anteriormente são alcançadas temos a construção de identidade do funcionário. Tal característica é ni­tidamente perceptível, pelo fato de todos serem sujeitos do processo educa-ação, por intermédio do exercício do seu trabalho, da efeti­vação social do ato educativo escolar. No entanto, esse não é o único fator constitutivo da identidade profissional, pois além deste, para a explicitação dessa identidade, o ramo do saber prioriza a formação – inicial e continuada – desse profissional. O campo do conhecimento que este profissional está vinculado acaba por estabelece a identidade de cada um dos sujeitos sociais individuais que compõem o grupo dos trabalha­dores em educação.
No decorrer deste curso pude, através dos conteúdos propostos, analisar e fazer um link com o curso o qual sou tutor e cheguei a um consenso de que, através do Profuncionário os alunos servidores têm uma chance de paridade formativa, muitas vezes os educandos relataram que se sentiam a margem do processo de aprendizagem mas que, realizando o curso estão mais inseridos no contexto, tendo oportunidade de adquirir novos conhecimentos e assim, tendo oportunidade de participar mais ativamente, desejo este demonstrado há muito tempo pela categoria. Sempre enfatizaram que isso se deriva também a flexibilidade que a educação a distancia proporciona nos últimos tempos.
A modalidade a distância facilita a gestão de tempo, o deslocamento somente nos encontros presenciais estimula os funcionários que já possuem uma grande carga de trabalho
O processo de autonomia demonstrado por alguns alunos é motivador, claro, processo este em construção, mas esta capacidade de descoberta do conhecimento e a prática do mesmo nas escolas nos evidenciam que estamos proporcionando maior participação social.
Como maiores dificuldades salientam a falta de conhecimento digital, a necessidade de grande acompanhamento exigido por alguns alunos que não estudam há muito tempo e precisam ser sistematicamente estimulados para não desistirem e a necessidade de esclarecimentos constantes sobre a Educação a distancia e os aspectos positivos da mesma.
Considero relevante ressaltar que os profissionais se sentem mais valorizados, sabe que sua participação nas escolas colabora para melhoria da mesma, a capacidade de aprender através de novas tecnologias e modalidades de ensino tem aumentado a auto-estima, a criticidade. A realização e implementação dos projetos desenvolvidos pelos alunos têm gerado maior empenho na execução de suas atividades, além das progressões, dos certificados que são almejados pelos mesmos.
Neste contexto, o curso me levou a refletir o ensino aprendizagem na modalidade educação a distancia – EaD.
 A EaD abre um “leque” oportuniza o aprendizado em rede, amplia o debate pedagógico e a melhoria no planejamento das aulas e na produção de materiais didáticos. Outros aspectos favorável proporcionados pela EaD, é o reconhecimento das TICs (Tecnologia da Informação e Comunicação) como ferramentas ativas para alavancar e desenvolver o ensino aprendizagem, não se pode negar a potencialidade dos instrumentos para o desenvolvimento de estratégias educativas diferenciadas do ponto de vista das interações entre professores e alunos.
Ensinar na, e com a internet, é significativos quando professor e aluno estão integrados em um contexto estrutural de mudança do processo de ensino-aprendizagem, mas, esta é uma dificuldade encontrada, pois exigem dos professores flexibilidades às mudanças, ser aberto ao novo, ainda há uma grande resistência ao uso das TICs como ferramenta pedagógica.
As TICs não mudam necessariamente a relação pedagógica. Elas tanto servem para reforçar uma visão conservadora, individualista, autoritária, como para dar suporte a uma visão emancipadora, aberta, interativa, participativa. Nesse caso, transgredir a relação está mais na mente das pessoas do que nos recursos tecnológicos, embora sejam inegáveis suas potencialidade pedagógicas ( OLIVEIRA, 2003).
O professor como mediador/ facilitador do conhecimento, que compreende a capacidade do tutor de desafiar o aluno e de motivá-lo, instiga-lo na busca de respostas adequadas ao que está sendo propostas. Isso significa desenvolver sua habilidade de saber articular mediações entre o aluno e o objeto de conhecimento. O professor deve favorecer a mediação interativa, a fim de tornar o trabalho integrado, para que se atinja o objetivo proposto pelos participantes. Estas características irão canalizar novas experiências de aprendizagem, baseadas nas interações entre professores e alunos, aluno e aluno, aluno com os materiais instrucionais e com outras fontes dinâmicas de informação.


Considerações finais
           
Voltado especificamente para formação de tutor para atuação no programa Profuncionário, o curso traz um relato das bases legais na qual está alicerçado o programa. Isto é de grande valia principalmente para os que vão atuar dentro do processo. Como tutor, tinha carência deste conhecimento, haja vista, que estas bases legais integram e dão legitimidade a formação do profissional da educação.
            O curso proporcionou-me ainda a possibilidade de colocar em prática meus conhecimentos adquiridos na minha formação de Especialista em Mídias na Educação, integrá-la a pratica de formação dos educandos uma vez que na EaD não se desvincula da cultura cibernética e das TICs.
            Por fim, vejo o curso como uma ferramenta importantíssima para que o Profuncionário tenha sucesso. Uma formação específica é crucial para quem trabalha com uma clientela semelhante a esta atendida pelo programa. Estão na ativa, muitos com conhecimento sistêmico, porém informais, na área em que atua e, leigos formalmente sobre a área em que atua. Isso requer do tutor formador flexibilidade, dinamismo e conhecimentos da conjectura pedagógica e burocrática que norteia o curso que irá atuar.
           
Referências

BOAVENTURA, E. M. Memorial. 1995. Disponível em: <http://www.edivaldo.pro.br/ memorial.html>. Acesso em: 15 de outubro. 2013.


MORAES, I. N. Memorial: sínteseSão Paulo: Universidade de São Paulo, 1992. Documento apresentado à Faculdade de Medicina para o Concurso de Professor Titular do Departamento de Cirurgia –Disciplina de Cirurgia Vascular Periférica.

OLIVEIRA, E. G. Educação a Distância na Transição paradigmática. Campinas: Papirus, 2003.




[1] Claudio Bernardo, Licenciado em Química e Pedagogia, Especialista em mídia na Educação, professor licenciado da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, professor tutor do curso Técnico Alimentação Escolar do Programa de Formação de Profissionais da Educação (Profuncionário), Instituto Federal de Brasília (IFB).